Calma, respira. Isso NÃO é um guia ou uma instrução milagrosa com sete passos infalíveis para acordar de manhã com a maior autoestima do mundo (se fosse fácil assim, eu já estaria milionária). 

Eu, como sua amiga (ou talvez quase amigas ainda), quero apenas conversar com você. Nada de papinho motivacional. Uma conversa entre duas mulheres adultas. E, se você ainda está aqui, é porque de alguma forma isso precisa chegar até você. Tá pronta? 

Quando eu tinha 09 anos,  ainda no ensino fundamental, mesmo não fazendo ideia da existência dela, minha maior crise existencial era eu mesma. Me lembro o quanto me sentia diferente das outras meninas - meu cabelo não parecia normal, meu sorriso era um problema, e o pior de tudo, minhas bochechas me infantilizam, e isso era um problema, porque eu achava que NENHUM menino ia gostar de uma criança com cara de….criança. Sim, minha autoestima já me perturbava, antes mesmo de eu saber escrevê-la.

No ensino médio, finalmente a conheci. Foi num dia qualquer, após um comentário bem cuidadoso feito por um dos garotos mais legais da escola - aquele que tinha o poder de arruinar a semana de alguém com uma única  frase -  “ah, ela é irmã da fulana de tal? só muda que ela é feia”. QUERIDO, você não imagina a vontade que eu fiquei de socar a sua cara nesse instante. Mas, infelizmente eu concordava com ele e, simplesmente fingi não ter ouvido, mesmo que tenha me pegado em cheio. Foi ali que eu a conheci oficialmente: - Prazer, sou eu. Aquela voz que te chama de feia quando você liga a câmera frontal por engano, sua autoestima (ou no caso, sua baixa estima).

Obcecada, fui pesquisar o que era isso que me atormentava. Cheguei em dicionário, etimologia, latim, grego… basicamente um surto acadêmico. Descobri que a palavra autoestima vem de “autos” = por si só. E “estima” = valor. Traduzindo: é a qualidade de se valorizar. (Se dependesse de mim naquela época, eu me vendia por R$3,50 e ainda dava troco.)

Claramente eu não era a pessoa que se valorizava. Na minha cabeça morava um looping infinito de: “eu sou o patinho feio” “não sou inteligente” e o clássico - “ninguém tá nem aí pra mim”.

E isso me distanciava de mim. Do que eu queria ser. Hoje, eu percebo que quando não estamos alinhadas com nossa autoestima, tendemos a ser uma pessoa negativa (mas isso é papo para outro momento). 

Um pouco mais crescida, eu fui percebendo como qualquer comentário feito sobre a minha aparência me afetava de uma forma absurda, mas o pior é que não só afetava como eu me sentia com relação a minha aparência, mas sim, todas as áreas da minha vida. Afinal, eu não tinha mais 09 anos. Nesse momento eu já entendia que autoestima não é só sobre aparência, é sobre: AUTOCONFIANÇA.

MASS eu sempre fui uma ótima pesquisadora, buscava entender um pouco de tudo, acho que “ser inteligente” foi o meu refúgio (se você tem um, se apegue nele, mais pra frente, irá entender o porquê). A mesma que enxergava seu reflexo duvidoso, se destacava por ter um raciocínio rápido, sempre tirava 10 em todas as provas e, olha só, as pessoas começaram a me enxergar diferente.

“Como você é inteligente!” “Como você é bonita.” - Coisas que passei a ouvir na fase pré-adulta.

Mas, é engraçado pensar como não conseguia me enxergar assim. Mesmo com afirmações vindas de fora, eu não me via inteligente, muito menos, bonita.

E aí, surgiu a dúvida cruel, por que, MESMO com elogios, eu ainda não me sentia suficiente? A resposta é simples (e meio trágica): porque nunca foi sobre o que os outros acham. Sempre foi sobre como eu me enxergo.

Eu tenho o costume de dizer que as coisas se alinham na medida que acontecem, e que tudo que passamos na nossa vida algum dia terá algum sentido. E nessa busca por sentido, quando eu estava no 3º ano do ensino médio tínhamos o costume de realizar um grande projeto anual cultural na escola, e neste ano nosso tema foi “frida khalo”, me lembro de coordenar cada passo desse trabalho e, com a ajuda da minha irmã mais velha fizemos um grande cartaz com o rosto da frida pintado – me orgulho até hoje do resultado.

Enquanto a galera estava focada nas monocelhas enormes que ela tinha, eu estava obcecada na história por trás das pinturas dessa mulher: Ela quase morreu em um acidente de ônibus quando tinha apenas 18 anos, sofreu múltiplas fraturas na perna e na coluna, o que a deixou um longo período no hospital. E no meio dessa dor, apesar de deprimida e, detalhe, INCAPACITADA DE ANDAR, passou a pintar sua própria imagem. Para isso, colocaram um espelho pendurado na sua frente e um cavalete adaptado para que pudesse pintar deitada. 

 

Uma das minhas frases favoritas dela: Eu pinto autorretratos porque estou frequentemente sozinha, porque sou a pessoa que melhor conheço. (surra de autoestima).

Ta, mas aonde eu quero chegar com isso. Foi nesse instante que minha ficha caiu. Percebi que é minha aparência, meu modo de agir, meus projetos, meus anseios, desejos....meus. Só meus. Não tem como eu colocar no outro a responsabilidade de interferir em como eu me sinto, porque no fim, em nada tem a ver com a outra pessoa, só comigo mesma. Ninguém tem o direito de definir o que eu sou — nem com elogio, nem com crítica.

E nessa autodescoberta, entendi que a autoestima é uma aliada minha, é a minha identidade, minha própria avaliação de mim mesma. É sobre quando eu entendo pontos que eu preciso melhorar, o que sou incrivelmente boa, aqueles que não sou tão boa, e o quanto eu me basto.

As obras da Frida KHalo hoje valem MILHÕES. E, ela pintava só o que conseguia ver: ela mesma. (esse é o ponto, a mulher estava estraçalhada, deprimida e, mesmo assim conseguia se enxergar) E eu, que fugia do espelho, entendi: o que faltava não era o elogio de fora, era me conhecer por dentro.

No fim, tudo que a garota de 09 anos sentia, o que a jovem do ensino médio passou – percebi que sempre faltou um pouco de mim, e hoje eu entendo que a parte que me faltava era me autoconhecer.

Me desculpa se te decepcionei. (Se você achou que a autoestima seria inspirada numa influencer de skincare no TikTok, errou feio.) Se você não se conhece e não se enxerga, a autoestima nunca será sua aliada. Ela aparece quando a gente se aceita inteira. Inclusive nas partes estranhas, exageradas, imaturas, dramáticas… (alô, escorpianas).

No fim, autoestima não é só sobre usar um dos melhores cremes para rejuvenescimento, malhar todos os dias, ter alimentação regrada ou ler 10 páginas de um livro de autoajuda -  isso é apenas um das diversas coisas necessárias para viver bem consigo mesma, mas o ponto crucial é alinhá-la com o “auto-conhecer”.  

Minha dica é: Você precisa se olhar no espelho e saber quem é aquela pessoa. Entender que você está longe de ser perfeita, mas se conhece por inteiro. Até as suas piores partes. Porque daí é que nascem as melhores. Só deixe florescer. 

um beijo de sua best.anônima, nos vemos logo XOXO

Você merece o melhor, o melhor. Porque você é uma das poucas pessoas neste mundo ruim que é honesta consigo mesma, e isso é a única coisa que realmente conta. Frida Kahlo.

Eu costumava achar que eu era a pessoa mais estranha do mundo, mas aí eu pensei: tem que ter alguém como eu, que se sinta bizarra e imperfeita, da mesma maneira como eu me sinto. Frida Kahlo.